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A mostrar mensagens de julho, 2018

A condução mais tudo o resto.

Conduzir na Maia é viver um épico, aliás, como utilizo diariamente o meu carro porque a oferta de transportes públicos é quase inexistente, conduzir na Maia é reviver incessantemente um épico. De manhã cedo, quando entro no carro e carrego no botão da ignição, surge-me sempre a mesma pergunta como se se tratasse de um disco a tocar mórbidamente a mesma ígnea música: " O que me vai acontecer hoje na estrada?". Nestes anos como condutora tenho visto muita coisa ruim mas de 2013 para cá, por algum motivo que ainda não consigo entender, tenho visto uma deterioração muito acentuada na postura dos condutores e condutoras - ambos os sexos são igualmente perigosos quando estão dentro do seu carro - talvez será melhor dizer castelo! A mim choca-me ver o desrespeito completo pelo Código da Estrada - não sei se os poucos leitores deste obscuro blog também se chocam - mas, acima de tudo, acima do desrespeito pela Lei entranhado nos interstícios das entranhas lusitanas, está o desrespeito...

O Esforço De Um Homem

Capítulo 1 O homem que encontrou um caminho e pensou para si mesmo que aquele não era o caminho certo para o levar ao destino que tinha em mente. Calcorreou a floresta densa durante vários dias, acampando ali e acolá, comendo pequenos frutos e animaizitos que conseguia apanhar com o seu cajado. Bebia a água fresca que escorria de largas folhas ao amanhecer. Era leve e gelada e parecia-lhe limpar as entranhas fazendo-o sentir-se bem e revigorado. Após o breve pequeno-almoço de água e restos do jantar, prosseguia sédulo a sua caminhada árdua por entre o emaranhado de plantas e raízes que pertenciam à floresta. Passaram-se vários dias e a fraqueza já fazia vacilar o pobre homem. Os olhos secavam, as articulações doíam como se estivessem a ser perfuradas por finas agulhas e os músculos ficavam presos num espasmo muito doloroso. Na sua mente vagueavam ideias de desistência, pensamentos ruins de auto-destruição e as memórias da família que deixou para trás e que esperava o...

As Noites Frescas e o Desejo de Morrer.

Eu não tenho jeito para escrever relatos detalhados da minha vida quotidiana. Disperso-me rapidamente por outros assuntos porque não tenho paciência para descrever os pormenores das minhas rotinas. Nestes últimos dois dias sofri com enxaquecas e pouco fiz além de colocar em dia a leitura de alguns artigos de jornais que imprimi. Com todo aquele burburinho na política americana há sempre textos interessantes para ler. Mas não me apetece falar agora de política. Ouço o metro a passar mais além - ainda é cedo, são apenas 01:32 da manhã. Lá para as duas da manhã os comboios param até às cinco; é o novo horário de Verão em vigor. No Inverno circulam toda a noite e são bem necessários. Também ouço uns pássaros a chilrear e as vacas da vacaria do primo da Isabel a baterem nos gradeamentos - pobres animais que passam a vida inteira enfiados naquele armazém a serem sugados até ao tutano. Porque será que não organizam uma rebelião? Talvez seja o mesmo motivo que mantém o povo portugu...