A condução mais tudo o resto.
Conduzir na Maia é viver um épico, aliás, como utilizo diariamente o meu carro porque a oferta de transportes públicos é quase inexistente, conduzir na Maia é reviver incessantemente um épico. De manhã cedo, quando entro no carro e carrego no botão da ignição, surge-me sempre a mesma pergunta como se se tratasse de um disco a tocar mórbidamente a mesma ígnea música: " O que me vai acontecer hoje na estrada?". Nestes anos como condutora tenho visto muita coisa ruim mas de 2013 para cá, por algum motivo que ainda não consigo entender, tenho visto uma deterioração muito acentuada na postura dos condutores e condutoras - ambos os sexos são igualmente perigosos quando estão dentro do seu carro - talvez será melhor dizer castelo! A mim choca-me ver o desrespeito completo pelo Código da Estrada - não sei se os poucos leitores deste obscuro blog também se chocam - mas, acima de tudo, acima do desrespeito pela Lei entranhado nos interstícios das entranhas lusitanas, está o desrespeito pelo próximo, pelo outro ser humano que vai no carro à nossa frente ou ao nosso lado ou atrás de nós. As manobras que eu vejo regularmente na estrada são criminosas porque colocam em perigo a vida de quem as executa, convencido da sua proficiência no domínio do automóvel, e a vida de quem vai tranquilo na estrada muitas vezes peocupado em poupar o carro que lhe custou a pagar ou em chegar bem a casa, à beira da família, e descansar um pouco depois de um dia de trabalho.
Ou se ultrapassa com linha dupla contínua a alta velocidade que, na cabeça do condutor, deve ser para ninguém se aperceber da infracção. Ninguém repeita os limites de velocidade impostos pela sinalização vertical. Ninguém adequa a velocidade ao estado da via em que circula. Poucos ou nenhuns se esforçam por circular convenientemente dentro de uma rotunda e a maioria entra na rotunda como se ela não estivesse lá. Mentes iluminadas que ultrapassam em cruzamentos, em curvas ou em lombas e ainda outras mentes mais iluminadas que estacionam o seu veículo num cruzamento, em cima da passadeira, à noite, com os máximo ligados, à espera que a sua esposa saia de uma churrasqueira ou de um restaurante qualquer com o pito para o jantar. Jóias do senso-comum que me maravilham pela magnitude da estupidez associada a estes comportamentos. Talvez seja maldade! Sim! Também pode ser "é num instante e há pouco trânsito e toda a gente faz isto porque há mais quatro carros atrás de mim".
Há três anos atrás, num cruzamento bem conhecido aqui na Maia onde existe um churrasqueia, tambem muito conhecida e antiga na cidade, um carro - até hoje desconhecido - estava estacionado, em cima da passadeira - de acordo com uma testemunha - com os máximos ligados e usava luzes de Xénon que, para quem não sabe, chegam a ser três vezes mais brilhantes do que as lâmpadas de halogéneo. Para quem vem do centro da Maia, para chegar a esses cruzamento tem de passar por um viaduto que faz uma lomba e logo a seguir uma depressão. Ou seja, quem vem nesse sentido, por momentos, perde a visibilidade do cruzamento. Nessa noite, um pequeno Opel Corsa conduzido por uma pessoa que passava naquele local todos os dias, ao sair da depressão dá de caras com as luzes de Xénon e fica completamente encandeado. Conduzia a uma velocidade de 40 Km/h. Infelizmente, na passadeira estava a passar um senhor de 40 anos com o seu jantar na mão. Vestia calças de ganga azul escuro, uma camisa azul escura e uma camisola azul escura. A lâmpada do poste de iluminação pública que fica por cima da passadeira estava fundida. O pobre homem, dolorosamente encadeado pelos faróis do carro estacionado, perdeu momentaneamente toda a visão, o suficiente para atropelar o inocente que, correctamente, passava na passadeira. O impacto atirou-o contra um muro onde bateu com a cabeça e morreu instantaneamente. O condutor amante do Xénon, ao ver aquela tragédia, fugiu e nunca mais foi encontrado porque ninguém sabia descrever o carro ou sequer a marca. Obviamente, também ninguém sabia a matrícula. Um acontecimento que destruiu a vida de várias pessoas. A vítima mortal e a sua família, o condutor do Opel Corsa e a sua família. E uma tragédia destas acontece porque alguém achou que era giro estar num cruzamento com os máximos ligados de faróis com lâmpadas de Xênon. Alguém me diga, por favor, isto é estupidez, ignorância, maldade ou a grande puta que o pariu?
Eu decido partilhar este caso porque conheço o condutor do Opel Corsa. O homem foi "crucificado" publicamente e nunca mais foi a mesma pessoa. Sofre de Stress Pós-Traumático que induziu uma Depressão Mórbida e a vida dele passou de um pacato dia-a-dia de um trabalhador que se esforçava para garantir que nada faltasse à sua filha de três anos para um inferno de constantes estadias no Hospital Magalhães Lemos, gastos absurdos em medicação e a dependência da caridade alheia que, para quem teve a sorte de nunca necessitar dela, é uma grande caralhada na nossa vida. Aparecem aquelas figuras catonianas a proferirem aforismos bíblicos e, insidiosamente, a tentarem tomar conta da nossa vida porque, lá está, estamos em dívida para com eles por tudo aquilo que recebemos que, na maior parte das vezes nem foram eles que compraram ou então, no caso de roupas e calçado e malas e o caralho a sete, estavam a mais lá por casa e assim despacham num instantinho erguendo as mãos ao céu com olhar beato e dizendo para si próprios, num mini-espasmo psicótico, que os seus pecados estão perdoados. E assim se destroem vidas com comportamentos infantis.
Eu peço desculpa pela linguagem vulgar que usei mas sinto-me profundamente revoltada com tudo o que vejo diariamente nas nossas estradas. Nenhum de nós é perfeito e, obviamente, cometemos erros na nossa condução mas é-me muito difícil entender o que se passa no espírito daqueles que executam, na via publica, aquele espaço que temos de partilhar com todos os outros seres humanos, os despautérios mais heréticos e desrespeitadores da Vida Humana e da Lei. Há muitos energúmenos e energúmenas que, quando recebem a carta de condução, entendem que estão a receber um Doutoramento na arte da condução e então todo o Mundo lhes pertence. Na realidade, a grande maioria de nós, os que conduzimos, somos extremamente medíocres na condução e, por isso mesmo, justifica-se conduzir sempre com o máximo respeito por todos os outros, pelo Código da Estrada e com todas as cautelas porque na vida real não há vidas extra como nos jogos de corridas de carros.
Se a carapuça serviu a alguém... Temos pena!!
Ou se ultrapassa com linha dupla contínua a alta velocidade que, na cabeça do condutor, deve ser para ninguém se aperceber da infracção. Ninguém repeita os limites de velocidade impostos pela sinalização vertical. Ninguém adequa a velocidade ao estado da via em que circula. Poucos ou nenhuns se esforçam por circular convenientemente dentro de uma rotunda e a maioria entra na rotunda como se ela não estivesse lá. Mentes iluminadas que ultrapassam em cruzamentos, em curvas ou em lombas e ainda outras mentes mais iluminadas que estacionam o seu veículo num cruzamento, em cima da passadeira, à noite, com os máximo ligados, à espera que a sua esposa saia de uma churrasqueira ou de um restaurante qualquer com o pito para o jantar. Jóias do senso-comum que me maravilham pela magnitude da estupidez associada a estes comportamentos. Talvez seja maldade! Sim! Também pode ser "é num instante e há pouco trânsito e toda a gente faz isto porque há mais quatro carros atrás de mim".
Há três anos atrás, num cruzamento bem conhecido aqui na Maia onde existe um churrasqueia, tambem muito conhecida e antiga na cidade, um carro - até hoje desconhecido - estava estacionado, em cima da passadeira - de acordo com uma testemunha - com os máximos ligados e usava luzes de Xénon que, para quem não sabe, chegam a ser três vezes mais brilhantes do que as lâmpadas de halogéneo. Para quem vem do centro da Maia, para chegar a esses cruzamento tem de passar por um viaduto que faz uma lomba e logo a seguir uma depressão. Ou seja, quem vem nesse sentido, por momentos, perde a visibilidade do cruzamento. Nessa noite, um pequeno Opel Corsa conduzido por uma pessoa que passava naquele local todos os dias, ao sair da depressão dá de caras com as luzes de Xénon e fica completamente encandeado. Conduzia a uma velocidade de 40 Km/h. Infelizmente, na passadeira estava a passar um senhor de 40 anos com o seu jantar na mão. Vestia calças de ganga azul escuro, uma camisa azul escura e uma camisola azul escura. A lâmpada do poste de iluminação pública que fica por cima da passadeira estava fundida. O pobre homem, dolorosamente encadeado pelos faróis do carro estacionado, perdeu momentaneamente toda a visão, o suficiente para atropelar o inocente que, correctamente, passava na passadeira. O impacto atirou-o contra um muro onde bateu com a cabeça e morreu instantaneamente. O condutor amante do Xénon, ao ver aquela tragédia, fugiu e nunca mais foi encontrado porque ninguém sabia descrever o carro ou sequer a marca. Obviamente, também ninguém sabia a matrícula. Um acontecimento que destruiu a vida de várias pessoas. A vítima mortal e a sua família, o condutor do Opel Corsa e a sua família. E uma tragédia destas acontece porque alguém achou que era giro estar num cruzamento com os máximos ligados de faróis com lâmpadas de Xênon. Alguém me diga, por favor, isto é estupidez, ignorância, maldade ou a grande puta que o pariu?
Eu decido partilhar este caso porque conheço o condutor do Opel Corsa. O homem foi "crucificado" publicamente e nunca mais foi a mesma pessoa. Sofre de Stress Pós-Traumático que induziu uma Depressão Mórbida e a vida dele passou de um pacato dia-a-dia de um trabalhador que se esforçava para garantir que nada faltasse à sua filha de três anos para um inferno de constantes estadias no Hospital Magalhães Lemos, gastos absurdos em medicação e a dependência da caridade alheia que, para quem teve a sorte de nunca necessitar dela, é uma grande caralhada na nossa vida. Aparecem aquelas figuras catonianas a proferirem aforismos bíblicos e, insidiosamente, a tentarem tomar conta da nossa vida porque, lá está, estamos em dívida para com eles por tudo aquilo que recebemos que, na maior parte das vezes nem foram eles que compraram ou então, no caso de roupas e calçado e malas e o caralho a sete, estavam a mais lá por casa e assim despacham num instantinho erguendo as mãos ao céu com olhar beato e dizendo para si próprios, num mini-espasmo psicótico, que os seus pecados estão perdoados. E assim se destroem vidas com comportamentos infantis.
Eu peço desculpa pela linguagem vulgar que usei mas sinto-me profundamente revoltada com tudo o que vejo diariamente nas nossas estradas. Nenhum de nós é perfeito e, obviamente, cometemos erros na nossa condução mas é-me muito difícil entender o que se passa no espírito daqueles que executam, na via publica, aquele espaço que temos de partilhar com todos os outros seres humanos, os despautérios mais heréticos e desrespeitadores da Vida Humana e da Lei. Há muitos energúmenos e energúmenas que, quando recebem a carta de condução, entendem que estão a receber um Doutoramento na arte da condução e então todo o Mundo lhes pertence. Na realidade, a grande maioria de nós, os que conduzimos, somos extremamente medíocres na condução e, por isso mesmo, justifica-se conduzir sempre com o máximo respeito por todos os outros, pelo Código da Estrada e com todas as cautelas porque na vida real não há vidas extra como nos jogos de corridas de carros.
Se a carapuça serviu a alguém... Temos pena!!
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